MILIONÁRIOS BRASILEIROS BUSCAM CASAS PARA ‘QUARENTENAR’ EM PORTUGAL

Imóveis passam por mudanças adaptadas aos novos donos: a criação de dependência de empregados, raridade nos projetos portugueses e característica ainda vigente no Brasil, por Gian Amato, do Porto

Executivo da indústria de biotecnologia, o paulista Eduardo Thompson fará de Lisboa sua nova Miami. Radicado com a família na cidade da Flórida desde 2017, passou a quarentena em sua ampla casa com jardim e piscina na cidade americana. Apesar do espaço privilegiado, o objetivo é ter ainda mais liberdade, principalmente em caso de novo confinamento. Para executar seu plano, Thompson visitou e comprou na planta um luxuoso apartamento de três suítes, com terraço, por € 800 mil (R$ 5,21 milhões) em um dos locais mais exclusivos da capital portuguesa. Fez tudo pela internet durante o estado de emergência em Portugal, sem sair de sua casa do outro lado do Atlântico.

Apenas no complexo onde Thompson comprou o imóvel, 40% das unidades vendidas têm como donos investidores brasileiros. Desde março até o fim de julho, 1.500 brasileiros procuraram informações sobre o empreendimento, mais de 200 manifestaram interesse e outros 60 programaram visitas presencias até o fim do ano ou a partir do momento em que forem suspensas as restrições de voos. No mesmo período de 2019, apenas 339 brasileiros consultaram as condições de compra.

“Passei a vida em São Paulo e estava cansado da selva de pedra. Já vivemos em região arborizada em Miami, mas sem espaço comunitário. Temos um jardim com piscina, que permitiu meses de quarentena em contato com ambiente externo, mas sempre dentro da residência. Em Lisboa teremos um campo de golfe para jogarmos. Eu, na verdade, jogo mais tênis. Minha mulher jogou golfe em alto nível e representou a seleção brasileira feminina na década de 1980”, explicou o empresário, referindo-se à esposa, a ex-golfista profissional Ana Cristina Boaventura Thompson.

“É nosso projeto de aposentadoria tranquila. Voltar ao Brasil não está no horizonte”, explicou o executivo, hoje com 54 anos. Além do golfe e do tênis, no condomínio há academia, ciclovia, centro de esportes, restaurantes, mercado, cabeleireiro, escolas e vigilância 24 horas. No caso de uma nova quarentena, portanto, o jardim não será mais o limite.

Desde que Portugal começou a atrair fortunas brasileiras, as imobiliárias se adaptaram para atender os milionários do país, que exigem dos imóveis características peculiares para os padrões europeus do século XXI, como dependências de empregados domésticos, raridade no país, e instalação de duchas higiênicas nos banheiros. Esses dois itens lideraram os pedidos de alterações nas unidades imobiliárias antes da compra.

“Alguns edifícios em construção começaram a transformar as salas de condomínio e salas de lazer em locais que permitam o trabalho remoto. A pandemia aumentou a procura por imóveis com varandas, terraços, jardins, quintas e terrenos. Basicamente tudo que permita sentir o vento no rosto, sentir o calor dos raios de sol e permita sair da sensação de clausura que viveram”, disse Pedro Fonseca, da RE/MAX.

Fonte: Época, por Gian Amato, do Porto

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